sábado, 10 de março de 2007

Heinrich Larsen Novamente

Alto lá. Agora que há rompido o laço, por merecimento ou por descaso, não culpe Deus por esta ruptura. Que culpa tem o Criador pela morte da criatura? E eu morri agora e meu lugar, onde é? Até onde é? Se o limite trouxe dor ao marcador, recompense-o com seu descanso.

Suplico amor onde ele não está. Assassino de mim mesmo por amor a que não ama. Aceitar ser posse.

Preciso desabafar. Desabafar o corpo e não procuro. Desabafar a alma e não procuro. Desabafar o Universo e não o procuro! Ah! Meus personagens me ensinam. Eu apreendo. Sou sensível demais a isto! Pudera eu rasgar meu peito com uma faca qualquer e silenciar este pranto cardíaco. Após minha morte, poder ver o que acontece e participar do desfecho. Ver meu corpo descansar aflito pelo abandono de sua alma perturbada e triste. Cultivo a morte por desapego.

E não desapego. Olho os corpos femininos que me acolheram por paixão e gostaria de retornar a eles com o mesmo frenesi que caracterizou cada gozo dividido. Dar-lhes às almas libidinosamente carinhosas tanto prazer quanto me pudessem ter oferecido. Essas mulheres é que me dão impulso. E qual o ser humano que não tem alguém como impulso?

Esbarro todo dia com o amanhecer como um estranho sem impulso. Meus irmãos sabem que eu deveria morrer e satirizam. Quanto valor ao fútil. E amar é fútil agora. Viver é futilidade, agora que correspondo a tudo o que não vivem. Tipo paixão, querer, querer respeitar... Eu não respeitei a minha natureza. Talvez a dela. Mas não a minha.

Tudo o que quero é ser aceito. Ainda que pela morte que me dá esta tristeza ao peito.

Um comentário:

wml disse...

Como sempre, sua prosa está extremamente afiada... parabéns!!!!!