domingo, 3 de junho de 2007

Fidalgo

Eu já sei que não há passado glorioso
que me respalde para meus feitos hoje.
Verdade dolorosa, mas... verdade.

Justamente esta falta de compromisso,
a ampla orfandade de uma origem louvável,
é que me torna tão grosseiramente peculiar.

Nada me justifica. Nem estar vivo,
ser um professor, ter sido importante para alguém:
nada disso é suficiente para me dar uma razão.

Como de costume, entro em conflito
numa crise existêncial, já porcamente diagnosticada,
severa, complexa e, por quê não lembrar..., eterna.

Uma vez na vida, sinto-me horrível mais uma vez na vida.
E me enxergo feio. Não venho de algum lugar,
nasci de alguma família, possuo qualquer posse admirável...

Acho que estou doente. Aflito, nesta ligeira confissão
desembaço meu desespero como arrancasse cicatrizes
recentes de um dilaceramento profundo.

Dói. E a revolta de não ser nada disso
jamais poderá ser completa
para que tudo o que me compromete seja...

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